A FALECIDA, 1999, evoca, como os próprios diretores definiram, o subúrbio existencial presente nas obras de Nelson Rodrigues. Mais do que uma referencia geográfica, o subúrbio é tratado aqui como componente subjetivo da personalidade desses personagens que se enfrentam em torno de Zulmira – a mulher que deseja para si mesma a glória diante das vizinhas por meio de um enterro cinematográfico; Zulmira está condenada a só vai viver quando morrer. O espírito suburbano se manifesta no coro carnavalesco incorporado à montagem – possivelmente uma herança da parceria com Hugo Rodas. Ao conceber o subúrbio como espírito e materializá-lo no coro [coro como espírito] retomam os princípios da tragédia grega, como definida por Nietzsche, e se posicionam diante da tragédia urbana sugerida por Nelson. Um movimento de séculos somente possível na dimensão do etéreo e diante da afirmação de uma perspectiva muito autoral sobre a obra desse autor e de suas possibilidades no palco.

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