O ponto de partida da direção de BARCA DI VENETIA PER PADOVA, 2014, foi a proposição de um diálogo como estratégia na convivência com as diferenças: entre música e imagem; entre a obra de Banchieri e obras contemporâneas; entre a experiência de fruição de um madrigal no século XVII e no século XXI. O espetáculo trata de uma viagem que reúne, em um mesmo lugar, indivíduos de diferentes culturas, idades, religiões, línguas e dialetos. Durante o trajeto compartilhado, as conversas acabam por tecer muitas relações entre os passageiros. A série de vídeos projetados ao longo do espetáculo apresentam paisagens do ponto de vista de passageiros de carros, ônibus, aviões e barcos. Ao contrapor, com alguma dose de acaso, narrativas visuais de deslocamento ao ambiente sonoro proporcionado pelos músicos e Banchieri, a direção tentou refletir uma frase de John Cage, onde é falada da relação de duas outras diferenças, a música e a dança: “Tudo o que a gente tinha de fazer era estabelecer uma estrutura temporal. Nem a música nem a dança estariam na frente: iriam ambas no mesmo barco (...) as circunstâncias as reuniriam”.