CIRANDAS, 2004, é um mosaico cênico constituído por diversos solilóquios extraídos de peças de Nelson Rodrigues. A garimpagem ou extração dos solilóquios como primeiro procedimento para o mosaico [deslocando ação de seu conflito primordial] e a musicalização de trechos das obras de Nelson constituem os dois princípios dramatúrgicos inovadores da encenação, que correu o Brasil pelo projeto SESC Palco Giratório. A noção de garimpagem reitera o dispositivo do pentimento: a obra como terreno não-esgotado. O movimento de passagem de tempo, incorporado na imagem da ciranda, dá-se pela escolha das personagens e sua ordem de aparecimento no espetáculo: Adriano e Fernando pinçam adolescentes, prostitutas, donas da casa e velhas do universo rodrigueano [presente também nos espaços: colégio, bordel e lar] para compor o mosaico em cirandas. O espetáculo reafirma o lugar do coro na obra do coletivo. Se para Nicolas de Oliveira os Irmãos Guimarães tomam os textos como objet-trouvé [objeto-encontrado], como readymade, esse procedimento frequentemente adotado no tratamento com a obra de Samuel Beckett se consolida aqui. Em CIRANDAS surgem novas peças curtas, dessa vez, de Nelson Rodrigues.

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