DOROTÉIA, 1995, dá continuidade a parceria iniciada com Nelson um ano antes e inaugura parceria com o encenador Hugo Rodas na direção. A montagem do trio promoveu uma espécie de redescoberta do texto, escrito originalmente em 1949, reconhecendo-o de fato como uma farsa. A combinação Rodas + Guimarães se inscreveu de forma muito potente na criação deste trabalho. O cenário se constituía por um elemento modular que funcionava ora como genuflexórios ora como cadeira, delimitando o campo de ação das personagens – na leitura de Bárbara Heliodora, uma representação das beatas do enredo, “prisioneiras de seu fascínio pelo pecado”. A economia de movimentos e a definição precisa do espaço onde se concentrava a ação – características do trabalho dos Irmãos Guimarães – aliado à precisão gestual coreográfica e a princípios de coralidade – características do trabalho de Hugo Rodas – parecem ter dado a justa tônica da farsa de Nelson sobre a morte, aliando comicidade e sublimação. A composição das personagens e o jogo cênico entre as atrizes era marcado pela dimensão da farsa. Na encenação, os diretores subverteram diversas rubricas e indicações de simbolismos sugeridos pelo autor. A montagem reposicionou o texto de Nelson Rodrigues, rendendo uma crítica histórica de Bárbara Heliodora e um Prêmio Shell de Melhor Direção.