No início do videodança NADA SE MOVE, 2013, uma frase surge: “Monólogo do peixe à distância do ar”. A seguir aparece na tela negra, em silêncio, uma sequência de palavras. Aos poucos, uma imagem se revela, um bebê deitado executando movimentos mínimos. Ao lado desta imagem surge outra, o mesmo bebê visto de outro ponto de vista. O olhar se divide entre as duas imagens e o texto. O tempo se distende. Depois de um breve escuro, surge outro título, “Monólogo de deus em processo” e assistimos à entrada de outro texto e de outras duas imagens de uma mesma ação: uma mulher cava com dificuldade um buraco. As palavras avançam, as ações também. Mas como no “monólogo” anterior tudo parece indicar circularidade, repetição e diferença: o mesmo que é já outro. Depois de breve novo escuro, surgem novas palavras, novas imagens, um velho caminha lentamente até desaparecer: “monólogo da terra enquanto gira”. Ao final(?) ações recorrentes, sem início nem fim. A respiração, uma mínima contração dos músculos da pálpebra, uma gota de suor, alguém que se desloca, a terra girando em silêncio. Coreografia de fluxos. Imobilidade. Expansão. Nada se move?

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