Ao entrar no ambiente da ação RESPIRAÇÃO EMBOLADA, 2003-2011, o espectador se depara com vários performers em pé e imóveis, ordenadamente espalhados no espaço em penumbra. Em frente a cada um, um pequeno banco, sobre ele, um balde com água. Uma campainha sinaliza o início do jogo, momento em que todos os performers mergulham, ao mesmo tempo, a cabeça no balde, permanecendo submersas o tempo que suportarem. O primeiro a erguer a cabeça começa o canto da “embolada” – ritmo do nordeste brasileiro cantado em valores rápidos e intervalos curtos – e os outros, cada um no seu tempo, seguem realizando a mesma ação. A regra é manter rigorosamente o compasso da embolada a despeito do ritmo e da capacidade respiratória de cada um. Para isso, o performer deve sincronizar a sua respiração com o emergir e o submergir da cabeça. Como cada um obedece ao seu próprio tempo, ocorre, inevitavelmente um descompasso nos movimentos das cabeças. Enquanto uns abaixam, outros levantam. Uma bateria – ao vivo – marca o ritmo. A ação acaba com os performers na mesma posição de início – em pé, imóveis.

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